Tudo aconteceu rapidamente, eu briguei com meus pais e decidi: Esta na hora de viver só! E só, fui embora... voltei, algumas horas depois é claro, decidido, mas, ainda haviam muitas dúvidas em minha cabeça, mas, por mais "mas" que falasse naquele momento, a decisão estava tomada e eu iria em frente. Repassei mentalmente as horas que estive fora de casa, remoendo as lembranças de mais uma briga com minha família, pô, sinceramente, não acho que seja certo o seu pai tirar você da cama as 5:00 da manha para caminhar sendo que você deve estar só às 08:00 na faculdade que, ficava a 1075 metros da minha casa ou , para ser mais preciso, 1538 passos em média.
Na rua, tomei o caminho da lojinha do posto de gasolina, minha preferida, lá tomei uma coca-cola gelada, peguei o celular e fiz o que qualquer homem em crise familiar faria, joguei 3 partidas de Fifa2009, perdi as três, o que, convenhamos, em nada melhorou o meu humor. Fiz a segunda coisa que homens em crise fazem, desliguei o celular, religuei e entrei no jogo novamente: NÃO DESISTIRIA ASSIM TÃO FÁCIL! OU NÃO ME CHAMO MARCELO!
Resolvi jogar com o Inter de Milão, jogaria pelas pontas e GOL, do adversário novamente. Não adiantou nem desligar o celular, para que essa merda achasse que agora era só uma criança com problemas de coordenação motora que estava jogando. É fato, estava na hora de secar a coca e voltar a caminhar.
Alguns minutos estava eu lá, fazendo o que nenhum homem deveria fazer antes de tentar ultrapassar as 17 etapas antes de recorrer a um amigo, e foi isso que fiz, toquei a campainha e como sempre, ele atendeu. O Porquinho, convenhamos, não é um cara chato ou coisa parecida, só me revoltava ter que ir pedir conselho para um amigo, homem, que saiu de casa a anos, poxa, eu queria ter minha história, falar que eu mesmo decidi, sem ajuda de ninguém! Mas, para um homem, pedir ajuda é realmente, chegar ao fim do poço.
E lá estava eu, no fundo...
O Porquinho era meu amigo desde a 1ª série, nós faziamos trabalhos juntos, crescemos juntos e temos muita história para contar, desde roubos homéricos até nossas primeiras namoradas. Mas, sempre combinamos numa coisa, mesmo quando sentamos para escrever as 17 etapas antes de recorrer aos amigos, chegar no fundo do poço era o momento de pedir ajuda.
Comecei do começo, e não me furtei a ser sincero: Porquinho, não dá mais, não aguento mais as paranóias do meu pai e as loucuras da minha mãe, vou morar só! Ele, riu, e disse: Porra... aluguei o quarto ontem mané, tem meses que eu venho te chamando para morar aqui e só agora você decide? O que tu vai fazer? Meu pai ta alugando um apartamento la na Vila das Borboletas e o preço é bom.
Aquilo me deu uma injeção de ânimo, a Vila das Borboletas era um bairro muito bom, devia estar a uns 3 quilometros da cidade e a uns 4 quilometros lá de casa, o que não me atrapalharia em filar a comida na casa dos meus pais, e não seria perto o bastante para mim mãe fazer visitas diárias.
Sai da casa do Porquinho, não antes de me despedir e tomar uma pepsi, e fui para casa chegar neste ponto e sair das minhas memórias e voltar à realidade. Meu pai me esperava na sala, com os olhos baixos e minha mãe saiu num sobressalto da cozinha ao ouvir o barulho da porta, estava com os olhos marejados. A dúvida me consumia, mas, fui direto ao ponto.
Pai, mãe, eu amo vocês mas vou sair de casa! Preciso crescer!